sexta-feira, julho 29, 2005


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Um suco de framboesa e morango com laranja me faria feliz.

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domingo, julho 24, 2005

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Gosto muito de poesia e nada me interessa mais que literatura. Também sou apaixonada por gatos. Palavras-chave para despertar meu interesse: Monteiro Lobato, Quintana, Drummond, García Marquez. Enlatados americanos. Peanuts. Simpsons. Pica-pau. Desenhos de todo tipo. Lazanha, pizza e chocolate. Viagens e natureza. Cavalos.

Eu NÃO sei nadar, não sei cozinhar, não sei dançar, não sei escrever. Falo alto, sou boca-suja, e o único jogo que gosto de jogar é truco. Mas também não sei jogar lá muito bem esse negócio. Sou extremamente pacífica desde que você não se meta com as pessoas que amo. Não sou nada do que você espera que eu seja, por uma simples questão de lógica. Não gosto de gente boazinha. Não gosto de gente que fala muito não.


Sentimental, irônica, egocêntrica, neurótica, implicante, arrogante, chorona, impulsiva, pentelha pracaraleo, boca suja, narcisista, carente, impaciente, preguiçosa, mandona, bagunceira, rabugenta, mimada, inteligente, pretensiosa, criancinha, quando não consigo o que eu quero fico toda mimimi, mau humor é meu nome do meio, tenho forte tendência a fugas constantes da realidade, mas eu também posso ser adorável. Presto mais atenção no intervalo comercial que nos programas.

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Três coisas que me assustam: barata, campainha de telefone e aparição de ex-namorado.

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Perfil sentimentalóide

O poema Equívoco, sabia-o de cor desde adolescente. E até hoje muito me espanta as pessoas acharem o que escrevo pura e simples abstração.

Um consolo ver que gente melhor que eu escreveu coisas tão lindas, tão puras.

"A neblina gelou-me até os nervos e as tias."
Que saboroso, que delicioso, isso. Alguém pode amaldiçoar-te até a terceira geração, então porque não haveria de congelar-te até as tias, ora pílulas?


"Sou apenas um peixe, mas que fuma e que ri,
e que ri e detesta."

Então eu deslizo por aí, sendo gauche na vida, admirando as flores, construindo meus elefantes, perdendo o controle. Um dia, a gente se encontra.

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Certo, agora fale um pouco sobre você.

sexta-feira, julho 22, 2005

Equívoco

Na noite sem lua perdi o chapéu.
O chapéu era branco e dele passarinhos
saíam para a glória, transportando-me ao céu.

A neblina gelou-me até os nervos e as tias.
Fiquei na praça oval aguardando a galera
com fiscais que me perdoassem e me abrissem os rios.

Um jardim sempre meu, de funcho e de coral,
ergueu-se pouco a pouco, e eram flores de velho,
murchando sem abrir, indecisas no mal.

Ressurgi para a escola, e de novo adquiri
a ciência de deslizar, tão própria de meus netos:
sou apenas um peixe, mas que fuma e que ri,
e que ri e detesta.

[Drummond]

CONTROLE


Em uma noite vazia, com todo o universo se manifestando lá fora e aqui dentro, flagrei-me olhando as dimensões insignificantes do meu universo.

Fitei as paredes dessa casa, vi os quadros do escritório pintados pela minha mãe, os planos tão precários rabiscados em um quadro de aviso, a estrutura tão frágil e inquietante dessa família, meu mundo.

Uma vez acreditei que tudo fosse maior, sonhei voar pra longe, promover grandes projetos, conquistar poder e respeito.
Acreditei nisso tão firmemente que me pego várias vezes ao dia olhando espantada para onde estou. Como se os planos tivessem dado certo, porém totalmente ao contrário do que deveria ser conforme minha idéia de ?certo?.

Eu me pergunto se não estou apenas me adaptando ao que o mundo exigiu de mim, e matando meus sonhos pouco a pouco. Tentando me enganar como se, mesmo sabendo que o trajeto da minha vida não tenha sido traçado por mim, eu ainda esteja no controle do meu destino.

O que é controle?

Até onde não somos apenas um joguete, um boneco manipulado, que tenta em vão se livrar de suas amarras, mas que não tem a coragem de rebentar o último elo da corrente.

Sensações assim são como espasmos, raros momentos de uma inquietante insatisfação que tentamos abafar, enganar, amordaçar, para que elas se tornem cada vez menos freqüentes.

Lucidez incômoda, que tenta subverter as ?estruturas de uma ordem estabelecida?, de sujeira empurrada pra debaixo do tapete, de hábitos irracionais, de uma vida morna e sem alegria, movida apenas pelo desejo de não sei o quê.

Lutar pelos seus sonhos é fácil. Difícil é tê-los bem definidos.
Qual é o seu sonho?

Vi um comercial da Petrobrás que terminava com a seguinte chamada:
"Com o que você quer sonhar hoje?"

Sim, com o que você quer sonhar hoje? E depois que você alcançar o seu sonho, você vai começar tudo de novo?

É o medo de recomeçar, a necessidade de não enxergar que essa luta não tem fim que nos leva a tomar, ou melhor, a adiar indefinidamente decisões, atitudes...e a ir parando, parando, parando...

Momentos de inspiração, em que poderia pintar, desenhar, escrever, e que passo dormindo, pensando em problemas que deveria resolver no horário de trabalho, enquanto, no trabalho, pensando nas férias e no fim de semana, no fim de semana procurando o que fazer, atônita e sem idéias.

elefantes

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O elefante


Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez me dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
Mas há também as presas,
dessa matéria pura,
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.

Eis meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê nos bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pela costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.

Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver,
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.
É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há na cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das arvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos,
esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes,
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo seu conteúdo
de perdão, de caricia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.


[Carlos Drummond de Andrade]

gauche

Um dia posto aqui o poema que ele fez sobre "o elefante em que adora disfarçar-se" - ele, o Drummond, não eu. Eu sou o elefante. Mas acho que foi o Carlos que me inspirou. Vai Renata, ser gauche na vida. O que quer que isso signifique...

deslizo

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Equívoco

Na noite sem lua perdi o chapéu.
O chapéu era branco e dele passarinhos
saíam para a glória, transportando-me ao céu.

A neblina gelou-me até os nervos e as tias.
Fiquei na praça oval aguardando a galera
com fiscais que me perdoassem e me abrissem os rios.

Um jardim sempre meu, de funcho e de coral,
ergueu-se pouco a pouco, e eram flores de velho,
murchando sem abrir, indecisas no mal.

Ressurgi para a escola, e de novo adquiri
a ciência de deslizar, tão própria de meus netos:
sou apenas um peixe, mas que fuma e que ri,
e que ri e detesta.



[Drummond]