sexta-feira, setembro 28, 2007

blablabla
Mas o que irrita de verdade são essas coisinhas miúdas, como procurar palavra em dicionário, ou desligar o telefone na cara da pessoa.

terça-feira, setembro 04, 2007

meme me mememe

1- Há quanto tempo você bloga?
04 anos, babe. ¬¬


2- Como você ficou sabendo da existência dos blogs e se animou a participar?
Um dia eu acordei com a frase "Vou vomitar meu almoço daqui até a Latvéria" na cabeça. Googlei "Latvéria" e caí no saudoso Correio da Latvéria, donde comecei minteressar por esses sites lineares, aleatórios e de atualização constante.


3- Diga cinco blogs que você acompanha diariamente ou com muita frequência.
Têm os dos amigos, Metamorfrases, Polly, No Limite, ChezNous e Lixo³ (que a gente entra todo dia pra saber das novidades das pessoas), tem também os de visitação obrigatória, Branco, Catarro, Cyn City , BoingBoing e Pdubt, têm os divertidos, Eudi (oi, volta?), Babaquice, Te dou um dado, putz, vários. Visito todos os lincados aqui com bastante freqüência.

4- Você é leitor anônimo de algum blog?
Yep. Vários. Nem dá pra sair comentando tdo até a última ponta, minha gente.

5- Alguns autores te despertam especial simpatia?
Yep. Vide resposta 3.

6 - Diga cinco blogueiros que você convidaria para tomar umas geladas.
Só cinco? Palhaçada, né? Comecemos com essas 3 meninas, depois incluiremos os desta lista, além de todos os burlescos (mesmo os que estão sem-blog atualmente) espalhados por são paulo, ceará e rio grande do sul e inda teremos de deixar espaço pra quem aparecer na hora, meu filho, pq em 4 anos de blogosfera dá pra conhecer muita gente interessante.

7- Diga três blogueiros que você passaria uma noite de loucura sexual.
Asjkdhasjdhajs, fala sério.

8- Você está satisfeito com seu blog?
Ah claro, não quero mais nada da vida. ¬¬

9- Escolha entre três e cinco blogueiros para responder este meme.
Sinta-se à vontade pra responder.

quinta-feira, agosto 09, 2007

spam nosso de cada dia

Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais Virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente... Esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens.

E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.

Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é "De espada". Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.

São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações. Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é bunda.

(Texto atribuído à Rita Lee)